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"Aprendemos a letra, a palavra, a
frase, o ponto, a linha, o plano, as operações e os sinais, a soma e a raiz
quadrada, o integral e a derivada, a gradiente e o rotacional. Com tudo
isto, se soubermos, podemos construir frases cheias de sentido, belos
teoremas matemático e até complicadas teorias físicas. O universo explica-se
todo. Mas tudo é tão certo, tão preciso, tão exigente que, ou se é sábio ou
se desiste de o ser. A desistência traz, pouco a pouco, o vazio dos símbolos
que não chegaram a ser nem bem usados nem bem entendidos. Com esse
esvaziamento os sinais abstractizam-se e fica apenas deles a memória da
forma, o sedimento de uma ideia distante. Apenas uma caligrafia oca, um
grafismo dócil de tanto se usar o gesto. Letras que já não são passam a
letras que nunca foram, a signos inventados por imaginação pura. É fácil
criá-los porque agora a forma é qualquer e surge rápida e sem hesitações.
Constrói-se a frase como quem tira notas ao acaso de múltiplas cordas
disponíveis. E sai o verso que apenas tem rima, ou não, e sai a música numa
pauta que não tem dós nem rés e sai o teorema que não afirma nem nega porque
os sinais que o constroem - ao verso, à música, ao teorema - são apenas
linguagem gráfica criada, inventada e organizada no plano da pintura como se
estivesse carregada de todos os sentidos." (Tomás Mateus,
1973)

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Tomás
Mateus nasceu na Praia do Ribatejo
(Barquinha) em 1918. Foi um cientista de prestígio, investigador do
LNEC desde a sua origem onde criou, dirigiu e desenvolveu o
Departamento de Tecnologia de Madeiras. Dedicou-se desde sempre à
pintura e ao desenho, actividade que a partir do início dos anos
"60" passou a exercer com intensidade.
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Neste domínio foi um puro autodidacta
tendo desenvolvido uma técnica de pintura muito própria, que evoluiu
estilisticamente desde o naturalismo ao abstraccionismo, passando pelo
neo-realismo. A sua obra é marcada pelo fascínio das qualidades
estéticas e dramáticas imbuídas nas estruturas do mundo biológico,
geológico, paisagístico, na sua diversidade de escalas e perspectivas,
sendo a sua criação um exemplo singular de transversalidade entre Ciência
e Arte. Realizou inúmeras exposições individuais e colectivas estando
hoje bem representado em museus e colecções de arte, estatais e
privadas, em Portugal e no Estrangeiro.
Tomás Mateus faleceu em Lisboa em
1979. Está sepultado no cemitério do Sobral do Campo (Castelo Branco).
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Prémios:
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1951 - 10º e 11º Prémios.
VII Exposição de Fotografia do Instituto Superior Técnico, com
trabalhos denominados "Reflexos e nuvens sobre o cais"
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1964 - Medalha de Bronze.
II Salão de Arte Moderna - Junta de Turismo da Costa do Sol
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1965 - Medalha de Bronze.
XI Salão de Outono - Junta de Turismo da Costa do Sol
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1966 - 1º Prémio. IV Salão
de Arte Moderna - Junta de Turismo da Costa do Sol
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1966 - Medalha de Prata.
XII Salão de Outono - Junta de Turismo da Costa do Sol
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1967 - Premiado no Concurso
para Tapeçarias destinadas ao Edifício da sede e Museu da Fundação
Calouste Gulbenkian
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1968 - Medalha de Ouro e
Prémio de Aquisição. III Salão de Artes Plásticas de Setúbal
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1973 - Agraciado com o
diploma de Comendador da Ordem Militar de Santiago de Espada
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1987 - Prémio de
Investigação Manuel Rocha (a título póstumo)
Exposições Individuais:
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1966 - Galeria do Diário de
Notícias, Lisboa
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1966 - Centro de Convívio
do LNEC, Lisboa
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1967 - Galeria Divulgação,
Lisboa
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1968 - Galeria Divulgação,
Lisboa
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1969 - Galeria Árvore,
Porto
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1969 - Galeria Núcleo,
Parede
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1970 - Galeria Interforma,
Lisboa
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1971 - Liceu Nacional de
Castelo Branco
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1971 - Centro de Convívio
do LNEC, Lisboa
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1972 - Salão de Convívio da
Ordem dos Engenheiros, Lisboa
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1972 - Galeria de Arte da
S.N.B.A., Lisboa
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1973 - Galeria S.
Francisco, Lisboa
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1973 - Minigaleria, Porto
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1973 - Galeria S.
Francisco, Lisboa
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1976 - Galeria S.
Francisco, Lisboa
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1977 - Galeria Portimão,
Portimão
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1978 - Museu Francisco
Tavares Proença Júnior, Castelo Branco
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1978 - Galeria S.
Francisco, Lisboa
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1980 - Sociedade Nacional
de Belas Artes, Lisboa
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1980 - Galeria S.
Francisco, Lisboa
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1980 - Museu Francisco
Tavares Proença Júnior, Castelo Branco
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1980 - Museu Nogueira da
Silva, Braga
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1981 - Museu Nacional
Soares dos Reis, Porto
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1983 - Junta de Turismo da
Costa do Esoril, Estoril
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1984 - Centro Cultural do
Alto Minho - Galeria Barca d' Artes, Viana do Castelo
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1984 - Museu da Casa
Nogueira da Silva, Braga
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1988 - Galeria Triângulo
48, Lisboa
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1990 - Galeria Triângulo
48, Lisboa
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1994 - Galeria YGrego,
Lisboa
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