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30 anos de investigação ao serviço do Património e do Território

 

 

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A Terra Scenica surge na continuidade e na encruzilhada de três vias, inicialmente apartadas, mas que agora se reencontram de forma criativa: 

  • 1) um percurso científico (de suporte curricular) de cerca de 30 de anos, centrado na criação em Portugal de um centro de investigação em paleoecologia e estudos do território antigo;

  • 2) um caminho longo de aprendizagem auto-didáctica em computação gráfica, iniciado em parte nas necessidades informáticas do primeiro, mas que as transcendeu levado pelo fascínio pela capacidade crescente da computação enquanto via de simulação, re-experimentação e ficção sustentada e expressiva no real

  • 3) um trilho mais ou menos conturbado nos domínios da arte, especialmente nos da música, mas igualmente inspirado nas artes plásticas, sempre omnipresentes, e ainda no drama e na expressão literária.

 

O percurso científico teve expressão institucional mas sem nunca ter forjado uma entidade orgânica formalizada. Inicialmente o Laboratório de Paleoecologia (LP) teve desde 1982 a cobertura do Museu Nacional de Arqueologia (MNA) e do seu director, Francisco Alves. Acabou por não ser consagrado na protelada proposta de lei-orgânica finalmente abandonada com o surgimento do Instituto Português de Museus que passou a tutelar o MNA. Foi então que o LP (plenamente funcional e apetrechado) foi transferido com a respectiva equipa para o Museu, Laboratório e Jardim Botânico da Universidade de Lisboa (sob os auspícios de Fernando Catarino). Entretanto fortaleceram-se os laços internacionais com as equipas de Utreque, Marselha, e Berna e concretizaram-se dois doutoramentos sob a orientação de Roel Janssen e Fernando Catarino. Após cinco anos no MLJB a institucionalização do LP foi aqui mais uma vez adiada por contingências da política de austeridade da Universidade de Lisboa. Em Outubro de 1999, tem lugar um novo protocolo de transferência envolvendo apetrechamento e equipa, desta vez para o Instituto Português de Arqueologia (sob proposta do seu director, João Zilhão). O LP passou então a integrar o CIPA (Centro de Investigação em Paleoecologia Humana e Arqueociências). Finalmente em inícios de 2007 o Programa CIPA terminou no processo de extinção do IPA. O novo IGESPAR integra agora uma Divisão de Estudo do Património e Arqueociências, onde, de acordo com as orientações do Ministério da Cultura os objectivos de "investigação" foram definitivamente abandonados, remetidos expressamente para unidades de investigação externas ao Ministério a quem as instâncias do Instituto deverão passar a recorrer.

 

O caminho das tecnologias da informação teve início quando em 1982 adquirimos o nosso sinclair ZX 81z que aprendemos avidamente a programar em BASIC. O segundo momento (já com PCs) versou a informatização das colecções de referência do LP, inicialmente em DBASE III (Asthon-Tate) e posteriormente em ACCESS da Microsoft. Do BASIC passámos ao "C" com o qual criámos a nossa primeira aplicação em versão para ATARI e PC: o programa "FOLHA" para apoio à contagem ao microscópio de microfósseis. Já no Museu Botânico foi a vez do nosso entusiasmo pelos Sistemas de Informação Geográfica - agora fundamentais na Cartografia do LIFE. Optámos por um software raro em Portugal mas poderoso e versátil, o TNTmips da MicroImages, Inc. - mais do que uma ferramenta de gestão de dados geo-referenciados dado que inclui módulos de análise e processamento de imagem, de análise estatística, de estereofotogrametria, podendo ser programado directamente em "C". A esta ferramenta (mais científica do que administrativa) juntámos o recurso à análise multivariada utilizada em Ecologia (TWINSPAN, DECORAMA de Mark Hill e CANOCO de ter Braak). Tínhamos no entanto a consciência de que as enormes potencialidades expressivas da infologia pouco emergiam nos "papers científicos" tradicionais. Este sentimento e o fascínio pela programação levaram-nos ao mundo da criação dos Multimédias onde optámos pelas tecnologias do DIRECTX da Microsoft (DirectDraw).  Tocávamos enfim a arte e a ficção, aspectos criativos que, se escorados nos dados das ciências do território, serviriam duplamente ciência e cultura. Finalmente estamos a enveredar pela criação de aplicações interactivas sob o perfil tecnológico dos videojogos mas com objectivos criativos e culturais (científicos, artísticos, formativos)  - o mundo dos "jogos-sérios" (serious-games).

 

O trilho das artes esteve desde sempre presente, quer nas artes plásticas, quer na música. Na música a ligação à história de arte e à arqueologia torna-se fundamental e a paixão envereda pela reconstituição interpretativa da música da Renascença e do Barroco. Procura-se uma atitude restituitiva do Passado para o Presente e a polivalência dos meios instrumentais e vocais.  Contextualizar com a arquitectura do passado, com outros meios de expressão artística histórica, com os ambientes vivenciais de outrora, torna-se uma obsessão. A música antiga historicamente informada é assim sentida como uma arqueologia viva que procura fazer ressoar a matriz de sensibilidades e das emoções que emanam no tempo porque genética e patrimonialmente herdadas. Mais uma vez a computação criativa reclama a congregação da arte e da informação, a matriz natural e cultural do território

 

 

 
 

programas em destaque:

Ramiro e os Possessos do Tempo série de videojogos para PC

Território Virtual Interactivo Mapas  3D interactivos para o Património Natural e Cultural

Monumento Virtual Interactivo Revisitação virtual de Monumentos, Centros Históricos e Sítios Arqueológicos

Paleoecologia da Paisagem História da Vegetação, Paleoclimatologia

Arqueobotânica e Paleoecologia Humana Palinologia, Carpologia e Antracologia arqueológicas

Paisagem e Território Flora e Vegetação Mediterrânicas

Mapas Polínicos Atmosféricos Programa de monitorização polínica atmosférica

Pólen, Mel e Território Programa de apoio à apicultura e à exploração sustentada das paisagens naturais e tradicionais

Música Antiga Interpretação de Música Antiga historicamente informada

 

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